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Mulher morre dez dias após ser espancada pelo marido e sofrer aborto

Gisely Duarte Galeano foi agredida em Bela Vista no dia 18 e morreu ontem em hospital de Dourados

Por Jardim MS News em 29/02/2024 às 15:33:59
Gisely Duarte Galeano, que morreu ontem após ser espancada pelo marido (Foto: Reprodução)

Gisely Duarte Galeano, que morreu ontem após ser espancada pelo marido (Foto: Reprodução)

Gisely Duarte Galeano, 35, morreu nesta quarta-feira (28) em Dourados, a 251 km de Campo Grande, depois de sofrer aborto e passar dez dias internada após ser espancada pelo marido. O crime ocorreu no dia 18 deste m√™s em Bela Vista, na fronteira com o Paraguai.

As agressões foram tantas que Gisely sofreu derrame cerebral encef√°lico. Em 2019, ela havia passado por transplante renal na Santa Casa em Campo Grande, mas se recuperou completamente do procedimento (leia abaixo).

Em boletim de ocorr√™ncia registrado na DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Ponta Porã, onde a vítima morava, a irmã dela apontou o cunhado, Fernando Chucarro Dias, 35, como autor das agressões que provocaram o aborto e a morte de Gisely.

Segundo a comunicante, Gisely e Fernando moravam no Jardim Primor, em Ponta Porã. No dia 3 deste m√™s, ela teria sido agredida pelo marido e impedida por ele de acionar a Polícia Militar e de registrar ocorr√™ncia na Polícia Civil.

Como a vítima havia prometido denunci√°-lo, Fernando foi embora para Bela Vista, onde moram seus familiares. No dia 5, Gisely conseguiu registrar a ocorr√™ncia, mas, segundo a polícia, não quis pedir medidas protetivas. A mulher j√° suspeitava que estava gr√°vida, mas ainda não havia feito exame.

Ainda segundo a irmã, no dia 18, Fernando manteve contato com Gisely e ela viajou até Bela Vista para se encontrar com o marido. Conforme a denúncia, Gisely sofreu série de agressões assim que chegou a Bela Vista. No mesmo dia, retornou para Ponta Porã machucada, foi para a casa e não contou nada para ninguém.

No dia seguinte, a irmã foi de novo ao local e dessa vez conseguiu entrar. Gisely estava deitada no sof√° reclamando de fortes dores abdominais. Com a ajuda do pai, a irmã a levou ao Hospital Cassems, onde foram contatados o aborto e derrame encef√°lico.

Devido à gravidade do caso, Gisely Galeano foi transferida imediatamente para o Hospital Cassems em Dourados. Ontem, ela morreu em decorr√™ncia das agressões.

Transplante de rim – Em dezembro de 2019, Gisely Duarte Galeano recebeu um novo rim em procedimento feito na Santa Casa de Campo Grande depois de quase tr√™s anos entre o diagnóstico da doença, tratamento e o transplante.

Em entrevista à assessoria de comunicação da Santa Casa no período em que estava internada, Gisely contou que o problema renal começou em 2017 quando ainda morava em Dourados. Ela tinha inchaços, cólicas e falta de ar constantes, mas achava ser por causa do sobrepeso.

Após voltar a morar em Ponta Porã, Gisely descobriu que tinha apenas um rim e que o órgão j√° estava 100% comprometido. Com o diagnóstico, Gisely iniciou tratamento e por dois anos fez hemodi√°lise em Ponta Porã e Dourados. A paciente contou após a cirurgia na Capital que durante o tratamento surgiu oportunidade de fazer o transplante em São Paulo, mas o procedimento foi descartado por causa do alto custo.

"Quando meus familiares souberam, minha prima se dispôs a doar. Uma amiga me falou da Santa Casa, ela tinha transplantado aqui e disse para eu tentar e assim eu fiz", contou ela. "A ligação que recebi da doutora foi inacredit√°vel, eu chorei muito, nem esperava. Hoje estou me sentindo viva novamente".

Gisely completaria 36 anos no dia 2 de junho. A Polícia Civil informou que o caso est√° sendo investigado como feminicídio majorado (praticado durante a gestação). O acusado ainda não foi preso.

Gisely quando estava internada na Sana Casa para transplante renal, em 2019 (Foto: Divulgação)


Fonte: Campo Grande News

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